Depois de decepcionar os fãs mais uma vez na E3 deste ano, parece que a Sony decidiu se mexer e mostrou boas novidades na Gamescon, a maior feira de games da Europa, que aconteceu na semana passada em Colônia, na Alemanha. E as novidades foram boas o suficiente para movimentar uma estagnação que, nos últimos anos, chegou até a comprometer o futuro da empresa japonesa. Para começar, ela já anunciou um novo PlayStation 3.
O console, que tem um terço do tamanho de seu antecessor, custará três quartos do preço da primeira versão do PS3. A partir da semana que vem, nos EUA, o PS3 passa a valer US$ 300 (hoje custa US$ 400). E esse será o preço do novo console quando ele chegar às lojas. Isso coloca a Sony em condição de competir com a Microsoft, que vende o Xbox 360 por preço equivalente. A diferença: o novo console da Sony oferece o dobro de espaço no HD (120 GB contra os 60 GB do Xbox), além do leitor de Blu-ray.
Outra novidade vem da própria Europa. Um dos estúdios parceiros da Sony no continente, o London Studio, foi responsável pela criação do Eye Toy, uma câmera para o PlayStation 2 que permitia que os jogadores interagissem pessoalmente com os games, aparecendo na tela da TV. O estúdio apresentou uma nova versão da câmera, com resolução muito mais alta, quando o PS3 foi lançado – era a PlayStation Eye. Ela foi pouco explorada pelos jogos até hoje, mas a Gamescon mostrou um novo rumo para o acessório.
E a novidade do London Studio na feira alemã impressionou. O jogo EyePet é uma espécie de bichinho virtual que usa a câmera do PS3 para trazer, para o console, a interação física que seus rivais já apresentaram (como o controle sensível a movimentos do Wii ou a câmera do Projeto Natal da Microsoft). O EyePet não só dispensa controles, como permite a interação entre os jogadores e os personagens na tela.
A artilharia da Sony contra a Microsoft não ficou só por conta desse anúncio. A empresa explicou melhor como será seu novo controle com detecção de movimento. Em vez de funcionar como o Projeto Natal, que utiliza uma câmera estereoscópica e sensores infravermelhos, o novo controle do PS3, que será lançado entre 2010 e 2011, usa tecnologia ultrassônica, com precisão igual ou superior à do controle atual, o Dual Shock 3.
Sobrou até para a Nintendo, que reina tranquila na primeira posição do mercado. Como ainda não tem como enfrentar o sistema de controles do Wii, a Sony declarou guerra aberta ao portátil da japonesa. Além de inúmeros lançamentos para o PlayStation Portátil (PSP), a empresa mostrou novas capacidades multimídia, como leitor digital de livros e quadrinhos.
Não foi por acaso que a Sony escolheu a Europa para tentar voltar ao mercado com força. Na explosão dos videogames de 16 bits, no início dos anos 90, Nintendo e Sega não viam o mercado europeu como um polo criativo. No entanto, a Sony, novata no mundo dos games ao lançar o primeiro PlayStation, preferiu apostar no mercado europeu para depois se dedicar aos Estados Unidos. Isso lhe garantiu uma fatia considerável de fãs no continente.
Os ingleses, que estavam acostumados a receber jogos com um atraso médio de seis meses em relação aos lançamentos americanos, ganharam não apenas lançamentos exclusivos como jogos feitos em seu próprio país, como Wipeout e Formula 1. E foi neste momento que surgiu o mesmo London Studio, que criou uma das novidades que pode reposicionar a empresa japonesa no mercado de games.
Fonte: Estadão